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“O peso invisível de ser forte o tempo todo"

Algo que observo nas mulheres é uma espécie de linha do tempo no modo de entender e assumir responsabilidades. Primeiro — desde que me lembro — as mulheres aprendiam a cuidar: da casa, dos filhos, do marido. Era um conhecimento passado de mãe para filha. Depois, aquela filha crescia, tornava-se mãe e transmitia esse aprendizado às suas próprias meninas, mas já de um jeito diferente. Além das tarefas domésticas, essas filhas também precisavam se preocupar com os estudos e com o trabalho. E assim, geração após geração, a mulher ia acumulando funções.

Porém, mesmo ocupando novos espaços, a mulher nunca se desligou do cuidado com a casa e a família. E aí mora o problema: ela acrescentou tarefas à rotina — como escolaridade, carreira e autonomia financeira, mas não retirou nada do que já fazia. É desse acúmulo silencioso que nasce a sobrecarga feminina, aquela que tantas vezes leva a mulher a acreditar que “consegue dar conta de tudo”.

E quando ela tenta dar conta de tudo, parece “forte”. As pessoas elogiam: “Nossa, você é incrível, olha quantas coisas faz!” E assim, quase sem perceber, ela vai romantizando aquilo que a sobrecarrega, até acreditar que esse esforço exaustivo é admirável. Mas não é. Não é bonito. Não é saudável. É cruel — e adoece.

A mulher cresce acreditando que não pode desmoronar, que precisa sustentar tudo e todos. Mas agora chegamos a uma nova fase: a fase da consciência. É quando ela finalmente entende que não, ela não dá conta — e que tentar dar conta de tudo tem um custo alto. Com essa carga, surgem os efeitos psicológicos: ansiedade, culpa, exaustão, hiper-responsabilidade.

Precisamos compreender que o que fazemos nunca se restringe a uma única ação; cada movimento gera consequências. E, às vezes, essas consequências atingem justamente quem mais amamos — como um efeito dominó.

A mulher se vê fazendo tudo. A sociedade a olha como alguém que deve conseguir fazer tudo. E então, em silêncio, ela sente o vazio de carregar o mundo sozinha. Sente culpa por não atender a todas as expectativas — as suas e as dos outros. Suas dores respingam na família, e sua qualidade de vida cai drasticamente sob o peso de tantas responsabilidades. Ou seja: não é apenas a sobrecarga em si, mas tudo o que ela arrasta junto.

Ser forte não é aguentar tudo. Ser forte é administrar o que é possível e saber delegar o que não é. É pedir ajuda quando necessário. É olhar para si e compreender que você também merece cuidado. É colocar-se na lista do que é importante.

O preço para sustentar expectativas sociais é alto. O preço de viver uma realidade que te sufoca é alto. O preço de se anular pelo outro é alto. O preço de deixar de se olhar é alto. Se você quer força, não pode mergulhar todos os dias naquilo que te enfraquece.

Quando você conseguir descansar sem culpa, poderá dizer: sim, agora encontrei o ponto de ser humana. Porque é exatamente isso que a mulher é: humana — não heroína.


 
 
 

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